Aqui há tempos lembrei-me: Já que o nosso governo é uma anedota, porque não recorrer ao humor para governar? Já me sentia um génio quando descobri que é exactamente isso que se faz aqui no Brasil, governa-se na base da anedota. E resulta!!! Enquanto em Portugal o desemprego só não sobe porque os desempregados emigram, aqui pega-se na anedota do "quantos alentejanos são precisos para mudar uma lâmpada" e aplica-se ao desemprego. Deste modo temos uma média de três a cinco pessoas para fazer o trabalho de uma. Vinte, se a tarefa fôr mesmo mudar uma lâmpada, porque cinco sujeitos apenas não chegam para desenroscar a casa. Claro que isso acaba por criar empregos inúteis, como o de ascensorista ou o de ensacador, mas se olharmos bem já existem muitos cargos inúteis. Talvez inúteis seja a palavra errada, mas que querem? não estou habituado a tantas mordomias. Eu entro no elevador e carrego no botão, não preciso de alguém que o faça por mim, e pagar a alguém cuja única função é alapar o cú na cadeira e carregar no 10º andar por mim não me parece sensato. Mas isso é o meu sindicato, o dos preguiçosos com certeza que vê com bom olhos este tipo de coisas. Nos supermercados, as meninas das caixas são apenas isso mesmo, caixas. Registam e recebem o pagamento, enquanto que as compras são ensacadas por uns coitados que passam o dia em pé a meter aquilo que não podem comprar para si em sacos de plástico que nós vamos levar para casa. Em Portugal as meninas da caixa devem ter pós graduação ou mestrado, porque além de registarem e darem troco também põem-nos simultaneamente as compras nos sacos. Até nos perguntam pelo cartão Continente. Mas têm de compreender que se trata de combater o desemprego, e não de maximizar os lucros. Ainda nos supermercados, e também em restaurantes, há os arrumadores ou vallet boys. Prático, porque em S. Paulo é difícil de estacionar. Mas chega-se a extremos ridículos. Ou talvez não. Ontem estava à porta do supermercado, a contar os aviões que me passavam por cima, a escassos 15 metros do chão. E nisto chega um homem com o seu BMW novo em folha e estaciona num dos lugares em frente ao super. Convém frisar que qualquer carro importado aqui é ultra caro. Por isso, se em Felgueiras toda a gente tinha um Mercedes ou BMW menos eu (gosto de ser diferente), em S.Paulo é raro o Mercedes e BMW. Porquê? Porque a maior parte dos poucos que podem ter um carro desses preferem ter um helicóptero para voarem de casa para o trabalho e vice-versa. Mas voltando à história. Se em Portugal um arrumador de rua leva uma coça se se aproxima sequer do BMW que acabou de estacionar, aqui o dono do carro entrega sem problemas a chave ao arrumador profissional (este é pago para o ser e não pede moedinhas) que, imagine-se, apenas lhe vai virar o carro, enquanto o dono vai às compras. Ou seja, está o dono do BMW a escolher o vinho que melhor acompanha o jantar e o arrumador a ligar o carro, fazer marcha atrás, manobrar, voltar a estacionar, desta feita já com a frente virada para a rua. E pronto, está virado o carro. E dizem vocês, "e daí?". Não é que eu seja preconceituoso, mas eu não dava a chave do meu carro, fosse ele BMW ou fusca, a um desconhecido para o virar. E não é por desconfiança, apenas reservo o prazer de conduzir o meu carro só para mim. "Ah, mas fazer manobras é chato". Para quem não sabe fazer as coisas, até limpar o rabo cansa. Mas isso é só o meu sindicato. Fica no entanto a sugestão, profissionalizem os arrumadores em Portugal, dêm-lhes a chave e eles que estacionem, virem, eles que se preocupem em encaixar o carro no lugar. Até porque dar ao braço com o jornal enrolado e dizer "destroçe" não é o suficiente para ganhar a moedinha.
Há, no entanto, empregos inúteis louváveis. Aqui há dias estava eu na rua e chuviam picaretas e canivetes suíços, o que eu aprecio bastante. Só para não passar por parvo à chuva fui-me abrigar À entrada de um shopping, onde já muita ovelhinha cidadã esperava pelo fim da chuva. Esta estava a gostar de cair, por isso veio o assistente de táxis, de guarda chuva na mão, escoltar pessoa a pessoa da porta do shopping ao táxi que ele previamente mandava parar assim que estes iam passando em frente ao shopping. Pura eficiência.
Há, no entanto, empregos inúteis louváveis. Aqui há dias estava eu na rua e chuviam picaretas e canivetes suíços, o que eu aprecio bastante. Só para não passar por parvo à chuva fui-me abrigar À entrada de um shopping, onde já muita ovelhinha cidadã esperava pelo fim da chuva. Esta estava a gostar de cair, por isso veio o assistente de táxis, de guarda chuva na mão, escoltar pessoa a pessoa da porta do shopping ao táxi que ele previamente mandava parar assim que estes iam passando em frente ao shopping. Pura eficiência.

1 comentário:
Cá em Portugal também há muito empregos inúteis como no registo civil em Vizela onde uma mulher se encontra de cu sentado numa cadeirinha a repetir os números que aparecem em tamanho garrafal e na nada garrida cor vermelha para que as pessoas que não queem levantar a cabeça saibam se chegou a sua vez de entrar ou não. Ou outro exemplo. Fui eu hoje renovar o BI e fazer o cartão de cidadão (ah posi é, gente chique) que demora meia hora por pessoa a fazer com dezenas de pessoas à espera e havia lá uma bela cachopa encostada à maquina das senhas só para dizer que não vale a pena esperar porque provavelmente não será atendido. Mas aqui a anedota tem um nome específico: função pública.
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