segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A nova Atlântida

Muitos ainda sonham e teorizam: o que foi o continente Atlântida, será que existiu mesmo, onde, que segredos nos revelaria... É um assunto que me fascina, confesso, mas também queriam saber os segredos do Titanic, e quando finalmente o descobriram no fundo do mar concluíram sem margem para dúvidas que tinha afundado. O que foi um alívio, coisas dessas não devem ser segredo.

Agora pergunto-me, tu que és insultado constantemente neste meu blog, nesta espécie de Sex and the City (favor trocar Sex por Masturbation) e já me mandaste vezes sem conta (vezes como o caralho, portanto) para o esse sítio tão feio que é mesmo o caralho, sabes tu dizer-me onde é? Onde fica o caralho?

Já fui mandado para o caralho, mas que eu saiba nunca lá cheguei ou por lá passei. Ja me disseram que sítios que procuro ficam longe como o caralho e outros dizem que "isso fica lá no caralho mais velho." O que introduz uma novidade. O Caralho, além de divindade omnipresente tem hierarquia, tem descendência e ascendência, tem família. Concluo então que o caralho mais velho é mesmo longe como o caralho, está portanto acima na cadeia, no céu, mais longe, pronto. E que este seria o ancião e que o caralho será o caçula (o mais novo). Não quero entrar em heresias nem comparações bíblicas, mas realmente o caralho está sempre na ponta da língua ( como o credo, o ai jesus, o valha-nos deus, deus me livre) mas vai-se a ver ele não está em lado nenhum. E também tem um filho, que não digo que tenha descido à Terra, porque não o encontro, mas teoricamente se o caralho mais velho está acima do caralho, este último estará mais próximo de nós (mas não no meio). Mas então onde será que fica mesmo o caralho?

Não acho que seja um problema de sinalização, até porque em Portugal há placas "como o caralho" a apontarem para Trânsito Local e o raio da localidade não aparece em nenhum mapa. ALiás, acho que quanto mais placas houver para um determinado sítio o mais certo é ele ficar mesmo lá para o caralho mais velho ou nem existir. Percebem agora porque sou Ateu?

Medida Universal

Enquanto o mundo, apesar de já totalmente globalizado economicamente, com moedas únicas que unem países, acordos ortograficos da treta que.... que... coiso, pronto, porque é que ainda há gente que se pesa em libras? Eu não tenho uma balança de merceeiro, nem moedas inglesas para equilibrar o outro prato. Porque é que para comprar um LCD de alta definição o tamanho do ecrã (aqui é tela, né?) vem em polegadas? Quem raios sabe quanto é uma polegada? É o tamanho do polegar? E isso é uma medida universal? Não há polegares maiores e mais pequenos uns que os outros? Dá vontade de perguntar ao gajo da Fnac se foi ele que mediu com o dedo. "Desculpe, disse 52 polegadas, mas com o polegar erecto ou retraído?" E milhas? A TAP deixa o cliente acumular milhas para descontos e promoções. EU sei lá quanto é uma milha, diabos!!! Ainda por cima Há milhas náuticas e milhas terrestres. Como o avião sobrevoa o Atântico, estamos a falar de milhas náuticas? Ou também há milhas aeronáuticas? Porque não medem essa merda em quilómetros, caralho?

E aí lembrei-me: Caralho! Qual sistema métrico, qual sistema imperial. Comtemplai o novo sistema verdadeiramente universal, para medidas de comprimento e também para medidas de peso. Nunca verás nada igual, e tudo graças à versatilidade inagualável da língua portuguesa, ou mesmo do instrumento de medição em questão. A partir de agora não meço mais nada, chega de fitas métricas, de quadros de conversão, balanças de farmácia. "Quanto mede a tela desse Plasma mesmo?", só preciso que me respondam que "esse, senhor, é grande como o caralho." E esse piano aí, de meia cauda, pesa mais que o de parede?", "Este piano senhor, pesa como o caralho." "Tens pé nessa piscina?, "eh pá, pés até tenho dois mas a piscina é funda como caralho!"

Mas não pensem que o caralho como medida é subjectivo ou que só adjectiva coisas realmente grandes e pesadas, porque caralhos há muitos e de todos os tamanho e feitios. Asim, os sapatos de número inferior que experimentei ontem na sapataria eram apertados como o caralho. Para quê dizer que eram "muito" pequenos? E se ao compararmos telemóveis eu digo que o teu realmente é leve como o caralho, agradece por não ter dito "leve como uma pena", porque eu até os homofóbicos protejo.

Digam lá se este meu sitema não é do caralho?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Balada de São Paulo

Não é uma série inspirada na Balada de Hill Street nem na de Nova York. Balada, em São Paulo, é a noite, a night, as discos, os bares onde se abana a bunda, ou a cabeça para sacudir a tentação da bunda que abana. Dado o esclarecimento, aqui vai a história:

Pela primeira vez,  em 3 meses de permanência em São Paulo, saí à noite, fui à "balada"..... com o meu pai. Que foi?... Ok, continuando, fomos de táxi para a Vila Olímpia, um bairro da cidade. O taxista arregalou os olhos quando chegámos ao destino, as moças à porta do "Armazém da Vila" estavam todas arranjadinhas, "turbinadas". Pagámos ao homem, que nos desejou boa sorte, a salivar como um doido. Eu e o meu pai entramos na fila, que até estava curta. O segurança olhou-me de alto a baixo e abanou a cabeça, "de bermudas não pode entrar".

Pois, eu estava de calções, para verem a minha experiência de sair à noite para as discos. "Pronto, vamos embora", pensei, "vamos a um tasco qualquer beber uma jola", já derrotado. E aí, um dos vendedores que parava ali pela porta do bar disse-me que alugava calças. Desconfiado, insiti com o pai para deixarmos a balada para a próxima, que por aquela noite já me sentia tanso o suficiente. Sem efeito, eu e o meu pai acompanhamos o vendedor às traseiras da balada, onde se iria dar a "transação". "Que nojo", pensei, ia usar umas calças de outra pessoa, talvez até as do vendedor. Já no beco, ele pega numa mochila velha, onde parecia ter a sua "muda" de roupa, a que me ia alugar. Qual quê, da mochila saíram 4 pares de calças engomadinhas e bem dobradas, lavadas e praticamente novas. Respirei de alívio, não só pela questão higiénica, mas também por orgulho. Afinal era óbvio que aquele homem geria um negócio dirigido para tansos como eu. E o negócio parecia florescer. Conformei-me de que podia ser tanso mas sozinho neste mundo não andava. Viva os tansos!!! TRoquei-me ali mesmo na rua. Bora para a balada.

Já de novo na fila eramos abordados por outros vendedores que nos queriam vender cerveja e outras bebidas alcoólicas a um preço realista, antes de entrarmos na disco. Não tínhamos sede, não comprámos nada. Na ponta da fila estavam os seguranças a fazer a triagem, verificar identificações. "Não trouxe a minha", lembrei-me. Desculpem, mas tenho a mania de andar sem carteira e sem documentos, detesto o chumaço no bolso do rabo e ando sempre de manga curta e sem casaco. Nos bolsos gosto de meter as mãos e sentir... sentir-me, e mais nada! Nem moedas, nem telemóvel, nem preservativos (outra coisa que não levei - afinal saí com o meu pai). Por acaso o meu pai tinha com ele o meu cartão de estudante da universidade, estava salvo, pensei. Chegou a minha vez, mostrei o cartão, e o gorila nem olhou. Reparou apenas que já estava de calças e deixou-me passar.

Lá entrámos. E, se lá fora não tínhamos sede, mal vimos as moças a passearem-se pela pista, todas descascadas, com mais carne à mostra que um talho, aí sim, a cerveja pareceu-nos tentadora. Não tenho muito mais para contar, quem me conhece já sabe que, independentemente da música ser boa ou má, e do recheio feminino da casa ser docinho ou fraco, eu simplesmente fico encostado à parede, a comer com os olhos, de cerveja na mão. Posso adiantar que a uma altura estava à procura do meu pai, que tinha ido buscar mais cerveja. Pelo meio das pessoas que afastava à minha passagem, na tentativa de encontrar o meu pai, sinto tocarem-me no ombro. "É o meu pai", pensei enquanto me voltava para trás. Mas não. Deparo-me com uma morenaça que olha para mim e encolhe os ombros como quem diz "então"? O que queria ela dizer eu não sei. Tanto podia ser " não danças porquê, anormal?", ou "isto é assim, pisas-me e nem pedes desculpa!?", ou mesmo "então, não me reconheces? Deixaste-me pêlos nas costas e agora ignoras-me?!" Em microsegundos decidi que o mais provável era tê-la pisado mesmo. Pedi desculpa com a mão, e afastei-me.

Mas realmente, porque é que não danço? É simples, aprecio bastante a sedução que é posta no acto de dançar, principalmente com uma brasileira abanar-se toda à minha frente. Mas não me esperem capaz de seduzir por esse mesmo meio, contentem-se em saberem-me seduzido.

Não me conquistarás pelo estômago, que muito gosto de comer bem, mas prefiro bem mais te comer.

O tarado despede-se.

sábado, 18 de outubro de 2008

Deus é fiel

Se em Portugal os autocolantes que mais vigoram nos vidros traseiros dos automóveis são os que dizem "Passa por cima, ó boi!!!", ou"Vai tu!!!", cá pelo Brasil é muito comum o "Deus é fiel". E de facto esta frase, para quem está parado no trânsito a olhar para o cú do carro em frente, dá muito mais que pensar. Como uma revelação divina, ontem, ao vislumbrar um destes bumper stickers, percebi que é mesmo verdade, Deus é fiel. Só pode! Afinal vive sozinho...

domingo, 5 de outubro de 2008

Acordo ortográfico

Agora que essa treta foi assinada, aqui no Brasil já se começa a querer combater certos vícios da oralidade. Apoiado. O engraçado é a forma de combater. "Vamos estar abolindo o gerundismo". Primeiro, nunca ouvi falar de gerundismo, será gerúndio? Segundo, adoro a técnica da vacina, injectar o próprio vírus no sistema imunitário para que este aprenda a combatê-lo. Assim, "abolindo" é o vírus, contido na vacina contra a doença fatal (os sujeitos morrem de irritação auditiva, chegando a arrancar os cabelos em casos mais extremos da reacção alérgica) que é o gerundismo. Outra coisa engraçada no Português do Brasil, se é que ainda é legal (dentro da lei, pessoal, não é "porreiro" nem "maneiro") fazer esta distinção, é que a língua evoluiu bastante, ao ponto de ter dado uma volta de 360 graus mais uns trocos. Deste modo "brevemente nos cinemas" passa a "breve nos cinemas", "dá-me isso" torna-se "dá isso para mim", "vou-lhe contar" evolui para "vou contar para ele", "não se encontra de momento" muda para "não se encontra (crise existencial, portanto)", e "vou passar a chamada" cá diz-se "vou estar passando a chamada". Mas porque reclamo eu? Se não me importo com as inclinações sexuais de ninguém, porque hei-de de me preocupar com o que os outros fazem com a língua?

ProFEtA NeLo

Mais conhecido como Dr. Love, o Professional Friend, Eternal Ally, Never Lover é um... qual é mesmo a palavra? Coitado!!! É isso, um coitado.

Condenado a ouvir e aconselhar calorosa, altruistica e perpetualmente as sempre bonitas amigas, o ProFEtA Nelo é o Rei da Teoria, o Príncipe da Solução. Apesar de não ter anúncio no jornal, por alguma razão cósmica, ou equação matemática irónica do caos, as mais belas fêmeas terrestres encontram o ProFEtA NeLo, não por via de um Evangelho ou revelação, não por via de publicidade, nem sequer por "ouvi falar". Puramente por atracção, não fosse o ProFEtA Nelo bonito, mas apenas a um nível amistoso. Quantas e quantas vezes não ouviu o ProFEtA, vindo da sala de espera do seu consultório "Então, que tal? - Eh pá, para um conselheiro é lindíssimo!" . O que, não entendam mal, o ProFEtA tem gosto em ouvir, mas fica-lhe no entanto sempre a lágrima no canto do olho. Afinal que ganha ele em ajudar as mais belas a ficarem com os mais parvalhões? Bem, há sempre aqueles sorrisos de gratidão das suas esbeltas clientes, coisa inestimável para o ProFEtA que, não obstante, preferia receber noutra moeda.

Um caso da vida real digno de menção nas Revistas cor-de-rosa, na secção Tragédia, a situação do ProFEtA já comoveu moças nos cinco continentes, mas as putas não se comovem ao ponto de darem o pito!!!

Atenção, se Carlos Drumond de Andrade pode escrever poemas sobre Marias com pitos infinitos, porque não posso eu, humilde besta, escrever uma prosa sobre o pito utópico?

sábado, 4 de outubro de 2008

Sotaque

O que eu amo mais em ti, moça bonita, é o sotaque com que dizes, irritada, que não tens sotaque coisa nenhuma. E usas da comparação para mostrar que tens razão, exemplificas, dizes que falas assim, e não assado. E eu rio-me, porque fica provado que tens mesmo o sotaque que eu tinha apontado. E tu, que não gostas de ser gozada, ainda ficas mais irritada. Voltas a dizer que não tens sotaque nada, que sou estou a implicar contigo. Talvez um pouco. Mas só porque adoro ver-te irritada, de tentativa em tentativa frustrada para veres dissimulada essa tua maneira de falar. Mas não consegues. TU és mesmo TU. E é isso que eu mais amo em ti, moça bonita.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Privado depravado

O meu pai sempre me disse que as grandes privações só nos fazem crescer, as grandes barreiras só nos fazem querer saltar mais alto. Como o corpo humano, que compensa um cego com um olfacto apurado e audição de morcego. Por isso me especializei em sexo manual. Estou até a escrever um manual do sexo para o sexo manual. Eu sei, eu sei, pode parecer um desporto fácil, mas tudo tem a sua ciência e arte. E ainda que pensem que sabem tudo sobre este assunto, há bastantes questões que podemos colocar a nós próprios, ou à nossa parceira (a mão). Por exemplo: no acto em si, quem domina? Eu ou a mão? E recuando mais um pouco, quem aborda quem? No meu caso eu sou mais tímido, a minha mão é mais atrevida. Tenho que esconder a outra no bolso para evitar ciúmes? Porque não posso usar as duas e fazer um ménage a trois? Porque não me acorda ela a meio da noite para uma rapidinha? E mais importante que tudo, porque penso eu sempre noutra quando faço sexo com ela? Será que ela sabe?

Depois há as vantagens, que não se encontram num relacionamento entre homem e mulher. Ela nunca me diz que não, nem alega dor de cabeça ou cansaço e, se por algum motivo estiver incapacitada tenho sempre a outra ao lado. Mas sejamos realistas, a outra nunca vai perceber tanto da coisa. As desvantagens também existem. Com o tempo as lesões físicas aparecem (não, não é a mítica cegueira). Um ombro deslocado, cãibras na mão, atrofia muscular no braço contrário. Já por isso convém ir trocando, usar as duas. Mas nunca foi fácil manter a estabilidade com duas relações sérias ao mesmo tempo. Também há o mito dos pelos na palma da mão. Tenho-vos a dizer que é mentira. A única parte do meu corpo que não tem pêlos sãos as palmas das mãos e dos pés. Quando saio do mar dizem-me que tenho algas nas costas, e não, não é da masturbação. Há por aí gajos bem mais atletas que eu neste desporto, e não têm um único pêlo, nem barba (está tudo a ficar andrógeno). Por falar em atletas, espanta-me certos "desportos" olímpicos como o hipismo e o curling... porque não masturbação também? Acho que seria positivo, deixar a alegria de uma medalha para os mais frustrados e anti-sociais. Esses sim, são uns atletas do caralho!!!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A vida

Toda a gente sabe que por vezes as melhores ideias e epifanias ocorrem-nos na casa de banho, no chuveiro ou na sanita (vaso no Brasil). E hoje eu estava a urinar e tive um desses episódios, que me revelou a verdade da vida. Por muito que se queira planear, por muito que se pré-determine um caminho, que se trace uma rota mental ou que se faça pontaria, acaba-se sempre por falhar e fica tudo mijado. E nas raras ocasiões em que, ao longo do processo, se consegue endireitar, não adianta o esforço, porque no fim vai tudo por água abaixo. É... Comigo é assim... e se contigo é diferente é porque não puxas o autoclismo!
Ah! Só agora é que percebi porque se chama mijão a um sortudo. Mija muito, tem mais prática, acerta mais, portanto.

Black 'n' White

A vida a preto e branco. Sem meios tons, cinzas escuros ou claros, brancos sujos ou pretos baços. Sem algo metafísico como a alma, ou um lado que só os próximos conhecem, não! Apenas preto e branco, defeitos e qualidades, só! Sou uma besta, mas canto bem no chuveiro. Sou peludo, mas faço panquecas. Sou tímido em pé, desavergonhado deitado. Sou tudo o que quiseste que eu fosse, sou nada do que tinhas imaginado. Sou eu, sou o meu outro lado, sou uma esfera, sou um dado. Sou aquilo que me acusas de ser, mas com classe, um cabrão de fato e gravata, um anjo de pijama, sou!!! Porque ser é estar. E eu estou. É este o meu estado. Sentado a escrever o que me apetecer. E tu  a ler esta merda!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

TV no teu PC


Atenção, juventude luso-falante (brasileiros incluídos), agora podem ver qualquer canal de TV ou Rádio no vosso computador pessoal, seja Windows ou Mac. Vá, pronto, menos os pornográficos. Sim, é gratuito. Saca-o aqui e vê a Al-Jazheera enquanto trabalhas no escritório, dança na secretária ao ruído da MTV, ou pasma-te com as notícias do mundo na BBC, assim do tipo: "Ah!!! Amanhã é sexta!!! Olha-me que notícia boa que bi agora na Têa Bêa..."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Santa Ignorância

Eu sou uma pessoa simples, de gostos simples, de aspirações e desejos simples. Gosto de estar bem com o mundo, considero-me até estóico, não exijo do mundo e o mundo não exige de mim. Chamem-me Ricardo Reis, pronto. Não guardo ressentimentos nem rancores, não gosto de odiar ninguém. Mas há uma coisa que eu odeio. Estupidez!!! Já nem falo da ignorância, porque essa é desculpável, depende das oportunidades que a pessoa teve na vida, da educação, não depende de todo do QI da pessoa. Mas onde é que eu quero ir com isto?

Dia sim, dia não, eu e os outros portugueses com quem convivo aqui em S.Paulo somos vítimas de pura estupidez, de ignorância da mais profunda e inimaginável extensão. "Vocês são argentinos?" ou "Espanhóis?" são perguntas comuns que nos são dirigidas. Como se já não bastasse confundirem a própria língua (o português) com a dos castelhanos há ainda a empregada de balcão (ou balconista) que faz a excelente e perspicaz observação à minha mãe:

- A senhora é argentina?
- Não! Sou portuguesa. Eu falo português!
- Ah, é... pois, tem tanto brasileiro que vai para os EUA, para Portugal... aí as pessoas acabam aprendendo a língua, né?

Respirem fundo, apanhem o queixo do chão, e riam, riam porque só dá para rir ou para espancar, e essa parte fica para mim, se não se importam.

Resumindo, é difícil ser-se brasileiro, falar português (ainda que do brasil), e não conseguir juntar o nome da língua (portuguesa) ao país da sua origem, que tem um nome não muito parecido (daí a dificuldade) que é PORTUGAL!!! Como se não bastasse, acham que quem fala português fora do Brasil, foi porque aprendeu à custa da convivência com emigrantes brasileiros. No fundo, o português foi espalhado por brasileiros. O mais estranho é um brasileiro nem sequer se perguntar porque é que a sua língua não é de facto o brasileiro, mas sim o português. "Quiseram-lhe dar um nome diferente, só pode ter sido isso".

Ignorância há em todo o lado, mas desta magnitude, em que as pessoas não conhecem sequer a sua origem, o porquê de falarem a sua língua e não outra, é simplesmente demais. Valho-nos Santa Ignorância, que Deus está de férias.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sardinhas em lata


Sim, aqui no Brasil há sardinhas. Grandes, pequenas, vesgas, esguias, balofas, elegantes, convencidas, provocadoras, sensuais... ah, já não estou a falar de peixe (então e o bacalhau???). Se conseguirem relacionar esta pequena introdução com o resto do conteúdo do post considerem-se tão estúpidos e prevertidos como eu (prefiro viver sozinho nesta montanha, aviso já). Mas não pensem que por isso somos iguais ou que partilhamos as mesmas experiências de vida, que nos compreendêmos e que acabamos as frases uns dos outros. Se isso acontecer é porque um de nós está a mandar o outro para o caralho (qual é o escândalo? é português, não é?).

Adiante. O Metro. Ou como dizem aqui, Metrô. Enfim... o transporte metropolitano de S.Paulo é neste momento o segundo mais concorrido do mundo. Não, não quer dizer que está na moda, quer dizer... sim, é isso mesmo está na moda. Ultrapassado apenas pelos números do Metro de Tokio, o de S.Paulo recebe uma média diária de 1,3 milhões de utilizadores. Considerando o número de estações exitentes e de comboios utilizados nas linhas, 1,3 milhões depessoas por dia significa uma média de 9 pessoas por metro quadrado. Se algum de vocês tem ideia do quanto que é um metro quadrado saberá do que eu estou a falar. Somos todos sardinhas enlatadas. Enlatadas, suadas, sonolentas, cansadas, a caminho do trabalho, a caminho de casa, com mau hálito, com um perfume maravilhoso, de headphones no ouvido, a ler Paulo Coelho, a lutarem contra a gravidade da aceleração e travagem constante desta toupeira metálica que percorre as tocas da Terra. Tudo isto esfregando-nos uns nos outros. Porque se tenho 8 pessoas no mesmo metro quadrado que eu, basta querer coçar a virilha para me arriscar a masturbar alguém sem querer. Mas sejamos justos, não é assim tão mau. Se no Brasil há 10 mulheres para cada homem , então se há mais 8 pessoas a esfregarem-se em mim a caminho do trabalho, é seguro dizer que em média 7 serão mulheres (calculado por equações matemáticas da minha invenção, patente registada). Pensem comigo, isto equivale a muito sexo anónimo. Esfreganços, mãos a tentar alcançar em bolsos os trocos necessários para o bilhete de autocarro (ou ônibus), uma simples consulta das horas no telemóvel, passar uma música à frente no leitor de Mp3... tudo muito insuspeito, e a culpa é do capitalismo, não nossa. Ah... o sonho de qualquer homem, sexo sem compromissos, sem nomes, sem promessas de ligar o dia a seguir. Apenas uma simples troca de palavras no fim:

"Amanhã na mesma estação?"

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Procurando S.Paulo

Talvez tenha mais significado para um paulistano (agora é assim que se chama um habitante de S.Paulo), mas fica na mesma para a comunidade lusófona a BD dos internacionalmente reconhecidos artistas brasileiros e irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Humor português

Já deverão ter lido isto nos comentários do post anterior, mas é bom demais para ser só um comentário. Assim, fica aqui como post, pois eu não teria dito melhor. Obrigado, Sílvia, continua a participar.

"Cá em Portugal também há muito empregos inúteis como no registo civil em Vizela onde uma mulher se encontra de cu sentado numa cadeirinha a repetir os números que aparecem em tamanho garrafal e na nada garrida cor vermelha para que as pessoas que não queem levantar a cabeça saibam se chegou a sua vez de entrar ou não. Ou outro exemplo. Fui eu hoje renovar o BI e fazer o cartão de cidadão (ah posi é, gente chique) que demora meia hora por pessoa a fazer com dezenas de pessoas à espera e havia lá uma bela cachopa encostada à maquina das senhas só para dizer que não vale a pena esperar porque provavelmente não será atendido. Mas aqui a anedota tem um nome específico: função pública."

por Sílvia Azevedo.

Nem mais!

domingo, 7 de setembro de 2008

Verdade filosófica

O grande Agostinho de Oliveira dizia que um brasileiro é um português à solta. Definição que assenta como uma luva à Fátima de Felgueiras.

sábado, 6 de setembro de 2008

Política humorista

Aqui há tempos lembrei-me: Já que o nosso governo é uma anedota, porque não recorrer ao humor para governar? Já me sentia um génio quando descobri que é exactamente isso que se faz aqui no Brasil, governa-se na base da anedota. E resulta!!! Enquanto em Portugal o desemprego só não sobe porque os desempregados emigram, aqui pega-se na anedota do "quantos alentejanos são precisos para mudar uma lâmpada" e aplica-se ao desemprego. Deste modo temos uma média de três a cinco pessoas para fazer o trabalho de uma. Vinte, se a tarefa fôr mesmo mudar uma lâmpada, porque cinco sujeitos apenas não chegam para desenroscar a casa. Claro que isso acaba por criar empregos inúteis, como o de ascensorista ou o de ensacador, mas se olharmos bem já existem muitos cargos inúteis. Talvez inúteis seja a palavra errada, mas que querem? não estou habituado a tantas mordomias. Eu entro no elevador e carrego no botão, não preciso de alguém que o faça por mim, e pagar a alguém cuja única função é alapar o cú na cadeira e carregar no 10º andar por mim não me parece sensato. Mas isso é o meu sindicato, o dos preguiçosos com certeza que vê com bom olhos este tipo de coisas. Nos supermercados, as meninas das caixas são apenas isso mesmo, caixas. Registam e recebem o pagamento, enquanto que as compras são ensacadas por uns coitados que passam o dia em pé a meter aquilo que não podem comprar para si em sacos de plástico que nós vamos levar para casa. Em Portugal as meninas da caixa devem ter pós graduação ou mestrado, porque além de registarem e darem troco também põem-nos simultaneamente as compras nos sacos. Até nos perguntam pelo cartão Continente. Mas têm de compreender que se trata de combater o desemprego, e não de maximizar os lucros. Ainda nos supermercados, e também em restaurantes, há os arrumadores ou vallet boys. Prático, porque em S. Paulo é difícil de estacionar. Mas chega-se a extremos ridículos. Ou talvez não. Ontem estava à porta do supermercado, a contar os aviões que me passavam por cima, a escassos 15 metros do chão. E nisto chega um homem com o seu BMW novo em folha e estaciona num dos lugares em frente ao super. Convém frisar que qualquer carro importado aqui é ultra caro. Por isso, se em Felgueiras toda a gente tinha um Mercedes ou BMW menos eu (gosto de ser diferente), em S.Paulo é raro o Mercedes e BMW. Porquê? Porque a maior parte dos poucos que podem ter um carro desses preferem ter um helicóptero para voarem de casa para o trabalho e vice-versa. Mas voltando à história. Se em Portugal um arrumador de rua leva uma coça se se aproxima sequer do BMW que acabou de estacionar, aqui o dono do carro entrega sem problemas a chave ao arrumador profissional (este é pago para o ser e não pede moedinhas) que, imagine-se, apenas lhe vai virar o carro, enquanto o dono vai às compras. Ou seja, está o dono do BMW a escolher o vinho que melhor acompanha o jantar e o arrumador a ligar o carro, fazer marcha atrás, manobrar, voltar a estacionar, desta feita já com a frente virada para a rua. E pronto, está virado o carro. E dizem vocês, "e daí?". Não é que eu seja preconceituoso, mas eu não dava a chave do meu carro, fosse ele BMW ou fusca, a um desconhecido para o virar. E não é por desconfiança, apenas reservo o prazer de conduzir o meu carro só para mim. "Ah, mas fazer manobras é chato". Para quem não sabe fazer as coisas, até limpar o rabo cansa. Mas isso é só o meu sindicato. Fica no entanto a sugestão, profissionalizem os arrumadores em Portugal, dêm-lhes a chave e eles que estacionem, virem, eles que se preocupem em encaixar o carro no lugar. Até porque dar ao braço com o jornal enrolado e dizer "destroçe" não é o suficiente para ganhar a moedinha.
Há, no entanto, empregos inúteis louváveis. Aqui há dias estava eu na rua e chuviam picaretas e canivetes suíços, o que eu aprecio bastante. Só para não passar por parvo à chuva fui-me abrigar À entrada de um shopping, onde já muita ovelhinha cidadã esperava pelo fim da chuva. Esta estava a gostar de cair, por isso veio o assistente de táxis, de guarda chuva na mão, escoltar pessoa a pessoa da porta do shopping ao táxi que ele previamente mandava parar assim que estes iam passando em frente ao shopping. Pura eficiência.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Só vos peço

Gosto de futebol, mas não costumo acompanhar. Só que um Benfica-Porto não se perde, não é? A malta da cerveja e do tremoço sabe do que estou a falar. Depois do habitual alvoroço que antecede o jogo, nem a RTP Internacional, nem os mais que vários canais de desporto brasileiros passaram o jogo. Participaram no alvoroço, no "ai jesus que está quase no dia da cerveja e do tremoço, do meu benfica/do meu porto, carago!", mas passar o jogo... não é preciso.
O que me leva a questionar. A mais que próxima guerra-civil, aí no país velho, vai passar na televisão? Em que canal? Vou ter de me deslocar a Portugal para assistir ao vivo? Ai não sabem do que estou a falar? Um dia explico (quando já não for preciso).
Só vos peço é que a aproveitem bem, e por mim. Limpem toda essa escória, esse bolor do país. E ai da besta que se lembre de apelidar o acontecimento como o novo 25 de Abril. Ai dele que se contente com um novo feriado e mudança ZERO!!! Ai de vós! Mil caralhos vos fodam para toda a eternidade (calma meninas), se continuáreis a gozar dos prazeres do mangalho do governo e dos políticos que, mesmo pobremente untado de vaselina que vos convença ou vos faça escorregar na esparrela, lá vai conseguindo penetrar bem fundo onde vos dói mais o orgulho. Não me levem a mal, Sado-maso até giro, umas palmadinhas no rabo dela, uns arranhões nas costas dele... mas isto não, está bem, juventude? Eu já nem falo dos mais velhos, cuja memória curta e o reumatismo impede que mudem de posição. Agora vocês? Não fiquem de quatro. Ide lá ao quintal desenterrar as G3s que os vossos pais e avós guardaram do Ultramar. Deixem os javalis e as perdizes em paz. Atirem nos suínos do parlamento. Fisgas, foices e picaretas também podem participar, pronto. As bisnagas de água estão fora de questão (por questões puramente ambientais, entenda-se).

Oitava praga

Conhecem aquela sensação de quererem ir para o fim do mundo, o cantinho do globo mais recôndito, aquele lugar para lá da linha do horizonte onde tão valentes navegantes sucumbiram à cascata que é a gravidade, só para estarem sozinhos? Para que vos deixem em paz? E depois encontram esse lugar, chegam lá, olham em volta, e quando estão seguros que se encontram absolutamente sozinhos de repente ouvem alguém, a falar de alheiras com sotaque de Cascais. O quê, também já vos aconteceu?? Solidariedade, irmãos...

Eu sei que a bíblia não fala de nós, porque não havia ainda Portugal, Condado Portucalense, ou sequer Lusitânia, decerto. Viriato tinha dentes de leite, D.Afonso Henriques não sabia ainda se gostava da sopa da mãe, e o Sócrates ainda não podia ler O Pinóquio. Por isso não somos mencionados na bíblia. Mas eu tenho para mim que durante as sete pragas do Egipto ouviram-se gritos de horror, clamores por misericórdia divina, gemidos horrendos de dor e suplícia, e um português a falar de alheiras com sotaque de Cascais. Somos a oitava praga do Egipto. fujas para onde fugires para passar férias longe de tudo, vais encontrar no mínimo um português, ou no mesmo avião que tu, ou na cabana ao lado da tua, que construiste na ilha do LOST, onde sabias que ninguém te ia encontrar.

"Como o mundo é pequeno" O TANAS!!! Que praga que nós somos.

O meu consolo é que dizem que depois do holocausto nuclear só restarão baratas como seres vivos. Baratas e pelo menos um português como testemunha desta teoria.

Hábitos

Há 100 anos que o Brasil recebe emigrantes japoneses, mas para mim que sou de fora ainda custa habituar-me a ouvi-los no metro a falar português (do brasil, he he). JAPONESES!!! É incrível. Mas esta questão dos japoneses leva-me a outra questão, a outro hábito. Uma coisa aparentemente insignificante, mas que faz sentido, e com certeza diferença. O que se calhar não faz sentido é a sua quase que exclusividade à sociedade japonesa? Porquê?! Serão eles malucos? Ou nós uns porcos?

Bem, exclusivo não é! Os japoneses chegam a casa e tiram os sapatos. Nós em Portugal também. Mas no Japão é por uma questão de higiene, não "poluir" a casa com a imundice da rua. Em Portugal é por uma questão de estética, para não sujarmos o chão, não vão os vizinhos aparecer para um cházinho e biscoitos, ou até o Papa a pedir cama porque o seu American Express não funciona.

E sejas brasileiro ou português não me convences de que é a mesma coisa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Apresentação

Mas afinal quem é o Pedro e o que faz no Brasil? Não deve ser brasileiro, porque pelos vistos diz mal da língua. Não, o Pedro é Português, nasceu no Porto, cidade que o escorraçou à porrada na noite de S.João (quanta mágoa), viveu a maior parte da sua curta vida no buraco que é Felgueiras (quanto trauma), frequentou quatro universidades em apenas cinco anos (record olímpico), e quando finalmente se licenciou em Cinema (Utopia do Cinema é o nome oficial do curso da Universidade da Beira Interior) viu-se como Adão com pudor da sua nudez (mais mágoa, mais trauma) Exacto, com uma mão no rabo e outra na gaita, sem saber onde se meter e o que fazer. Hum... e que tal fazer cinema em Portugal? (esta anedota ainda faz sensação nas festas). Tendo crescido no buraco, e vendo sempre a luz que do cimo lhe chegava, com o tempo o Pedro cresceu (obrigado Nestum) e tornou-se mais próximo da luz. Ou se esticava e alcançava-a, saía do buraco e explorava todo o quintal que é o mundo, ou continuava a ser formiga e permanecia no buraco, cada vez mais pequeno para si, obrigando-o a curvar-se, a dobrar a sua personalidade, a ajoelhar-se e prestar reverência a uma sociedade e a um país decrépitos, ondes os velhos fazem as leis e os novos não as contestam. Era o fim do império Romano deste escravo sem saída, que não a de fugir para o Novo Mundo, onde poderia começar de novo, sem amos a quem prestar vassalagem, sem velhos a quem beijar o pus da lepra que envolve os anéis de governantes numas mãos tão vermelhas de sangue.... que digo eu? Seiva!!! Monstros deste reino maldito não sangram, seivam deitam resina. Já me estou a desviar...

Resumindo, Chamo-me Pedro Lima, tenho 23 anos, e depois de Pedro Álvares Cabral vim redescobrir o Brasil. De avião, porque de caravela costumo enjoar.

Vâmo quebrá o gelo, né?

Haja verdade. Correm por aí mitos estranhos, lendas urbanas, histórias da carochinha. No outro dia disse-me alguém de Portugal que aqui no Brasil tenho a vantagem de não haver a barreira linguística, porque cá também se fala português. Concordei por metade. De facto, depois de crescer a ver novelas da Globo, porque a minha mãe não me dava o comando da TV, a barreira linguística para um português que emigra para o Brasil é realmente muito baixa. Mas por favor, não me venham com merdas! Sejas português ou brasileiro, não me vendes a mentira de que aqui no Brasil também se fala português, ou que se fala "português do Brasil", oubistes bem???!!! Haja verdade, volto a dizer. Em Portugal fala-se português. Aqui no Brasil utiliza-se (também) o português para se falar o brasileiro. E não, não é a mesma coisa do que "português do Brasil". "Mas só muda o sotaque...". Balelas. Sotaques diferentes também existem em Portugal, um país bem mais pequeno. Aqui muda o sotaque, a gramática, a entuação, até a morfologia, a maneira como se escreve. Acho que podemos concordar que se trata de outra língua. Se não expliquem-me porque pensam que sou espanhol quando me ouvem falar "português de Portugal" aqui no Brasil.