Eu sou uma pessoa simples, de gostos simples, de aspirações e desejos simples. Gosto de estar bem com o mundo, considero-me até estóico, não exijo do mundo e o mundo não exige de mim. Chamem-me Ricardo Reis, pronto. Não guardo ressentimentos nem rancores, não gosto de odiar ninguém. Mas há uma coisa que eu odeio. Estupidez!!! Já nem falo da ignorância, porque essa é desculpável, depende das oportunidades que a pessoa teve na vida, da educação, não depende de todo do QI da pessoa. Mas onde é que eu quero ir com isto?
Dia sim, dia não, eu e os outros portugueses com quem convivo aqui em S.Paulo somos vítimas de pura estupidez, de ignorância da mais profunda e inimaginável extensão. "Vocês são argentinos?" ou "Espanhóis?" são perguntas comuns que nos são dirigidas. Como se já não bastasse confundirem a própria língua (o português) com a dos castelhanos há ainda a empregada de balcão (ou balconista) que faz a excelente e perspicaz observação à minha mãe:
- A senhora é argentina?
- Não! Sou portuguesa. Eu falo português!
- Ah, é... pois, tem tanto brasileiro que vai para os EUA, para Portugal... aí as pessoas acabam aprendendo a língua, né?
Respirem fundo, apanhem o queixo do chão, e riam, riam porque só dá para rir ou para espancar, e essa parte fica para mim, se não se importam.
Resumindo, é difícil ser-se brasileiro, falar português (ainda que do brasil), e não conseguir juntar o nome da língua (portuguesa) ao país da sua origem, que tem um nome não muito parecido (daí a dificuldade) que é PORTUGAL!!! Como se não bastasse, acham que quem fala português fora do Brasil, foi porque aprendeu à custa da convivência com emigrantes brasileiros. No fundo, o português foi espalhado por brasileiros. O mais estranho é um brasileiro nem sequer se perguntar porque é que a sua língua não é de facto o brasileiro, mas sim o português. "Quiseram-lhe dar um nome diferente, só pode ter sido isso".
Ignorância há em todo o lado, mas desta magnitude, em que as pessoas não conhecem sequer a sua origem, o porquê de falarem a sua língua e não outra, é simplesmente demais. Valho-nos Santa Ignorância, que Deus está de férias.

1 comentário:
Alta história pah! O engraçado sobre esta história é que se eu contar uma historia destas a malta que ja viveu no brazil a resposta deles mais provavelmente será:"Não é bem assim..." e eventualmente a palavra xenofobia pode entrar na conversa. O que não é o caso sobre este post; aqui temos um dos maiores exemplos de paciência e cultura no Brazil, e até ele já fica chateado por acharem que ele é argentino. Estamos contigo pah. Boa sorte.
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