Agora que essa treta foi assinada, aqui no Brasil já se começa a querer combater certos vícios da oralidade. Apoiado. O engraçado é a forma de combater. "Vamos estar abolindo o gerundismo". Primeiro, nunca ouvi falar de gerundismo, será gerúndio? Segundo, adoro a técnica da vacina, injectar o próprio vírus no sistema imunitário para que este aprenda a combatê-lo. Assim, "abolindo" é o vírus, contido na vacina contra a doença fatal (os sujeitos morrem de irritação auditiva, chegando a arrancar os cabelos em casos mais extremos da reacção alérgica) que é o gerundismo. Outra coisa engraçada no Português do Brasil, se é que ainda é legal (dentro da lei, pessoal, não é "porreiro" nem "maneiro") fazer esta distinção, é que a língua evoluiu bastante, ao ponto de ter dado uma volta de 360 graus mais uns trocos. Deste modo "brevemente nos cinemas" passa a "breve nos cinemas", "dá-me isso" torna-se "dá isso para mim", "vou-lhe contar" evolui para "vou contar para ele", "não se encontra de momento" muda para "não se encontra (crise existencial, portanto)", e "vou passar a chamada" cá diz-se "vou estar passando a chamada". Mas porque reclamo eu? Se não me importo com as inclinações sexuais de ninguém, porque hei-de de me preocupar com o que os outros fazem com a língua?
domingo, 5 de outubro de 2008
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