Não é uma série inspirada na Balada de Hill Street nem na de Nova York. Balada, em São Paulo, é a noite, a night, as discos, os bares onde se abana a bunda, ou a cabeça para sacudir a tentação da bunda que abana. Dado o esclarecimento, aqui vai a história:
Pela primeira vez, em 3 meses de permanência em São Paulo, saí à noite, fui à "balada"..... com o meu pai. Que foi?... Ok, continuando, fomos de táxi para a Vila Olímpia, um bairro da cidade. O taxista arregalou os olhos quando chegámos ao destino, as moças à porta do "Armazém da Vila" estavam todas arranjadinhas, "turbinadas". Pagámos ao homem, que nos desejou boa sorte, a salivar como um doido. Eu e o meu pai entramos na fila, que até estava curta. O segurança olhou-me de alto a baixo e abanou a cabeça, "de bermudas não pode entrar".
Pois, eu estava de calções, para verem a minha experiência de sair à noite para as discos. "Pronto, vamos embora", pensei, "vamos a um tasco qualquer beber uma jola", já derrotado. E aí, um dos vendedores que parava ali pela porta do bar disse-me que alugava calças. Desconfiado, insiti com o pai para deixarmos a balada para a próxima, que por aquela noite já me sentia tanso o suficiente. Sem efeito, eu e o meu pai acompanhamos o vendedor às traseiras da balada, onde se iria dar a "transação". "Que nojo", pensei, ia usar umas calças de outra pessoa, talvez até as do vendedor. Já no beco, ele pega numa mochila velha, onde parecia ter a sua "muda" de roupa, a que me ia alugar. Qual quê, da mochila saíram 4 pares de calças engomadinhas e bem dobradas, lavadas e praticamente novas. Respirei de alívio, não só pela questão higiénica, mas também por orgulho. Afinal era óbvio que aquele homem geria um negócio dirigido para tansos como eu. E o negócio parecia florescer. Conformei-me de que podia ser tanso mas sozinho neste mundo não andava. Viva os tansos!!! TRoquei-me ali mesmo na rua. Bora para a balada.
Já de novo na fila eramos abordados por outros vendedores que nos queriam vender cerveja e outras bebidas alcoólicas a um preço realista, antes de entrarmos na disco. Não tínhamos sede, não comprámos nada. Na ponta da fila estavam os seguranças a fazer a triagem, verificar identificações. "Não trouxe a minha", lembrei-me. Desculpem, mas tenho a mania de andar sem carteira e sem documentos, detesto o chumaço no bolso do rabo e ando sempre de manga curta e sem casaco. Nos bolsos gosto de meter as mãos e sentir... sentir-me, e mais nada! Nem moedas, nem telemóvel, nem preservativos (outra coisa que não levei - afinal saí com o meu pai). Por acaso o meu pai tinha com ele o meu cartão de estudante da universidade, estava salvo, pensei. Chegou a minha vez, mostrei o cartão, e o gorila nem olhou. Reparou apenas que já estava de calças e deixou-me passar.
Lá entrámos. E, se lá fora não tínhamos sede, mal vimos as moças a passearem-se pela pista, todas descascadas, com mais carne à mostra que um talho, aí sim, a cerveja pareceu-nos tentadora. Não tenho muito mais para contar, quem me conhece já sabe que, independentemente da música ser boa ou má, e do recheio feminino da casa ser docinho ou fraco, eu simplesmente fico encostado à parede, a comer com os olhos, de cerveja na mão. Posso adiantar que a uma altura estava à procura do meu pai, que tinha ido buscar mais cerveja. Pelo meio das pessoas que afastava à minha passagem, na tentativa de encontrar o meu pai, sinto tocarem-me no ombro. "É o meu pai", pensei enquanto me voltava para trás. Mas não. Deparo-me com uma morenaça que olha para mim e encolhe os ombros como quem diz "então"? O que queria ela dizer eu não sei. Tanto podia ser " não danças porquê, anormal?", ou "isto é assim, pisas-me e nem pedes desculpa!?", ou mesmo "então, não me reconheces? Deixaste-me pêlos nas costas e agora ignoras-me?!" Em microsegundos decidi que o mais provável era tê-la pisado mesmo. Pedi desculpa com a mão, e afastei-me.
Mas realmente, porque é que não danço? É simples, aprecio bastante a sedução que é posta no acto de dançar, principalmente com uma brasileira abanar-se toda à minha frente. Mas não me esperem capaz de seduzir por esse mesmo meio, contentem-se em saberem-me seduzido.
Não me conquistarás pelo estômago, que muito gosto de comer bem, mas prefiro bem mais te comer.
O tarado despede-se.

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